quarta-feira, 8 de maio de 2013

Mesmos aliados, mesma política

Nas eleições, os joseenses votaram por mudanças. Não dava mais para aturar o governo do PSDB, que não tinha preocupações sociais e administrava os serviços públicos para garantir os lucros de setores empresariais. O voto em Carlinhos (PT) foi para que ele colocasse o rico orçamento da cidade a serviço da maioria da população.

Porém, após quatro meses, verificamos que Carlinhos formou seu governo repetindo o mesmo esquema do PSDB, antes criticado pelo PT. Uniu-se a antigos aliados de Cury, loteou cargos e adotou medidas que beneficiam empresários em detrimento dos interesses da população.

O novo governo já nasce mofado. Partidos que sustentaram o governo anterior, como o DEM, PP, PSB, PRP, PPS e PV, foram contemplados por Carlinhos na formação de secretarias e cargos na Prefeitura. Foi o caso, por exemplo, da indicação de Miranda Ueb (PPS) para a Secretaria de Relações do Trabalho. Até mesmo o vice de Blanco (PSDB), José Luis Nunes, continuou como secretário. Sem falar da volta de Pedro Yves (PMDB) e Santos Neves (DEM).

Para acomodar tanta gente, foram criadas duas novas secretarias e mais 29 cargos de confiança, que custarão R$ 3,5 milhões aos cofres públicos. Como se não bastasse, foram reajustados os salários dos secretários e prefeito e foi garantido um aumento de mais de 100% para o vice.

Já para a população, uma das primeiras foi atender ao pedido absurdo dos empresários do transporte para aumentar o preço da passagem para R$ 3,30, a mais cara do Brasil.

A saúde continua em situação de caos. O mutirão, previsto para iniciar em janeiro, apesar de o governo gastar R$ 380 mil em propaganda, atrasou e ficou restrito às cirurgias.

O PT decidiu manter o mesmo modelo do PSDB de privatização na saúde, que já se mostrou ineficiente, com indícios de irregularidades e caro aos cofres públicos.

O fato é que a fila e os problemas da saúde não vão se resolver enquanto a SPDM e o Próvisão controlarem o Hospital Municipal e o Hospital Clínicas Norte, consumindo quase a metade das verbas da saúde pública.

Carlinhos anunciou a contratação da construção de casas populares. Mas trata-se de uma parte das cinco mil moradias já anunciadas por Alckmin e Dilma, pressionados após a desocupação do Pinheirinho. Enquanto isso, o Pinheirinho voltou a ser um terreno baldio de mais de um milhão de metros quadrados e é objeto de uma dívida de mais de R$ 50 milhões em impostos. Ainda assim, ficou de fora da revisão da lei de zoneamento.

A área deveria ser transformada em Zeis (Zona Especial de Interesse Social) e desapropriada para a construção de moradias populares. Mas o que se vê com as mudanças na lei propostas por Carlinhos é a prioridade aos interesses das grandes construtoras que lhe deram apoio eleitoral e querem ampliar seus negócios, ainda que isso piore a vida da população.

A Câmara Municipal, que poderia cumprir um papel fiscalizador do Executivo, mais uma vez falha, e entra na barganha política e no loteamento de cargos.  Dos 21 vereadores, 17 se aliaram ao governo, dizendo amém a tudo o que a Prefeitura faz.

Como se vê, nada mudou. Continuam no poder os mesmos de sempre. Por isso, as poucas boas notícias não saíram do papel. Já as más notícias são um fato consumado no início do governo do PT.

De nossa parte, vamos fiscalizar e cobrar o governo petista e os vereadores. Queremos que a população faça o mesmo. São José é uma cidade rica, que pode e deve colocar essa riqueza a favor dos trabalhadores e da maioria da população.

Artigo publicado no jornal O Vale, em 8 de maio de 2013